Os Riscos da Criónica

Cryonics

A criónica, ou criopreservação, é um conceito já com muitos anos, mas, apesar de raramente ser referido nas notícias, continua bem presente, como o prova o recente caso da adolescente britânica que morreu de cancro e cujo último desejo era ter o corpo preservado através da criónica, para poder um dia mais tarde voltar a ser “acordada”.

Preservar um corpo humano através do frio não é tão simples como colocá-lo numa câmara frigorífica. A estrutura biológica é delicada e é necessário adotar procedimentos adequados aos fins que procura obter-se – uma preservação o mais perfeita possível do corpo. Este processo tem os seus riscos.

A utilização de crioprotetores é essencial para evitar que as células mirrem irreversivelmente e que a concentração de sais no seu interior impeça que voltem a funcionar. Utilizados em elevadas concentrações, os crioprotetores (substâncias utilizadas para proteger tecido orgânico dos danos causados pelo frio extremo) são capazes de impedir totalmente a formação de gelo. Este processo de arrefecimento sem a formação de cristais de gelo é conhecido como “vitrificação”.

Um dos obstáculos da criónica é que, embora tenha sido possível preservar tanto a estrutura como a função de cérebros utilizando este processo, ainda não foi possível reanimar um cérebro inteiro.

Para além dos riscos na fase da criopreservação, existem depois as dúvidas quanto à fase da reanimação. Este processo terá de lidar com danos a nível dos tecidos, causados pelas temperaturas extremamente baixas, pela falta de oxigénio, a possível toxicidade dos crioprotetores e, acima de tudo, terá de lidar com a inimaginável tarefa de reverter o processo que causou a morte!

A criónica continua a ser um assunto polémico, mas a verdade é que há cada vez mais pessoas a mostrar interesse por este procedimento, e toda a investigação científica que a rodeia está a proporcionar grandes avanços à ciência médica.